sábado, 3 de junho de 2006

resposta-sanduíche pelos teus 38*

do outro lado, o velho marco,
hippie-lebowski, uruguaianense do mundo,
criticando a moça do ai-ai-ai
à margem fico eu,
sem ter como retrucar às suas eruditices,
os seus modos de implicar
na próxima, capricha, meu velho
não faça troça de vanessa,
desvela tua escuta peculiar.
assume, em tuas doses homeopáticas,
em teus poemas confessionais,
em tuas adoráveis digressões enigmáticas
grita alto e sem receio:
sim, eu confesso!
também gosto de pastiches.
* parabéns, amigo. meu melhor abraço.

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Para amiga Clarissa


Pelos teus 25 anos, pelos nossos alinhavos pela vida, pelos nossos recortes, por me ensinares a boniteza de uma boa amizade, pela sensibilidade que tens, pela artista que és, pelas coisas bonitas e singelas que personificas e confirmas nestes nossos caminhos de perto, de longe e de sempre. Pelas bobagens, pelos choros, pelas gargalhadas, pelos conselhos, pela força, pela troca, pelas artes, pela música, pelas construções comuns.
Pelo ser humano bacana, Clarissa, parabéns!
Tudo de melhor e amoroso pra ti.
Feliz Aniversário, da amiga de cá.

domingo, 23 de abril de 2006

Um verso dedicado


E se ficar triste, lembre que algodão-doce é bom e colorido.
E que a vida pode ser assim, em algum lugar, com alguém, algum dia.

segunda-feira, 17 de abril de 2006



Roubo versos
desavergonhadamente
como quem toma emprestado um lápis do colega
e não devolve ao passar dos dias
como quem quer escrever rabiscos pela vida afora
mas não tem apontador

segunda-feira, 20 de março de 2006


Porque aqui faz calor e eu durmo sem roupas e acordo cedo com a janela escancarada, deixando o sol na cara me deixar transtornada logo pela manhã.
Porque hoje o trem quebrou e eu conversei com tanta gente diferente que de repente não sabia mais quem eu era e onde estava.
Porque eu escuto John Coltrane enquanto tomo um suco de limão e penso que a vida pode sim ser refrescante em tantos sentidos.
Porque há pouco eu aprendi o conceito de intuição, de virtualidades e do devir e isso, de alguma forma, já mudou tanto do que eu achava que sabia.
Porque nesse momento a tarde cai, minha roupa seca no varal e eu sinto saudades de certas coisas, daquelas saudades boas de se sentir.
Porque eu já não sou quem eu era ontem, porque eu já não sou quem eu era agora, porque alguém me liga e eu percebo que sim, eu simplesmente sou.
Porque imaginar o final de semana traz gosto de merecimento, porque minha preguiça passou e porque se permitir é tão incrível quanto Neil Armstrong pisar na lua.
Porque já dá pra ver a lua, porque amanhã é sexta-feira, porque eu gosto de cortar a unha e roer logo em seguida.
Porque descobri o quão legal uma criança pode ser, porque laços não se quebram, porque minha casa nova é agora a minha casa.
Porque o cinema já existia antes do cinema, porque champignon e pão preto é o que tenho na geladeira, porque o suor escorre nessas tardes de verão.
Porque talvez tantas coisas, porque talvez tantas outras, porque a incerteza seduz, porque é bom à meia luz.
Porque meu olho se cerra no momento em que encerra a plenitude dos dias.
Porque esse é um tempo espantosamente e deliberadamente otimista.
Porque me convenci.
A única coisa que vai se eternizar é o afeto.
* a foto é uma colaboração especial da minha mãe, Cora, que fez o clique no Chile, na prainha frequentada por Pablo Neruda.

sábado, 11 de março de 2006

"O Nescau, a ausência e os estagiários movem o mundo."
constatação minha e de luciano nessa neste sábado

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2006

felicidade se acha é em horinhas de descuido *


a moldura vermelha dos óculos avisa com precisão:
o mundo hoje se enquadra melhor do que ontem.
pouco a pouco o sim brota da pele, do corpo, da boca que fala

eis que peso a medida do não.

sem que as lentes me digam, sem que o dedo apontado acuse
hoje sei que o disco risca, hoje sei do pisca-pisca, atrás dos óculos ou das ruas
lentamente, não há quem insista, nem mesmo o olhar que me faz

eis que os passos correm delicados, à sua medida e discrição.

* título fisgado pela beleza do verso de guimarães rosa