quinta-feira, 27 de outubro de 2005
quarta-feira, 26 de outubro de 2005
terça-feira, 25 de outubro de 2005
terça-feira, 18 de outubro de 2005
Só pra exercitar...

Gosto de andar pelas ruas e observar as pessoas. Há um prazer de desvendar os gestos, ver como cada um se porta frente a situações cotidianas, estando simplesmente diante do dia-a-dia. Eu fico séria e reparo. E reparo que eu invento vidas para aqueles que passam: para o senhora franzina que espera a lotação, para o moço bonito que olha as televisões através das vitrines, para a criança que compra sorvete na praça, para o fotógrafo triste ao lado do chafariz.
Eu fico séria e reparo. Assim fica o meu eu de fora. Porque o meu eu de dentro ri, gargalha e se compadece com essas vidas tantas projetadas por todos aqueles que habitam em mim. Pois eu sou muitas e tão diversas, que esse manancial de gentes que moram dentro do meu eu de dentro me atordoam, me confundem e me completam. Me fazem ser como os outros me vêem, como eu sou, como eu fui e como espero ser.
Eu olho no espelho. Eu fico séria e reparo. E reparo no que esses eus me tornaram hoje. E torno a pensar em caminhos diversos, em outras possibilidades, em outras vidas maquinadas para mim – como aquelas que crio para os desconhecidos que encontro. Sabe-se lá que outros trajetos tortos eu e os meus eus poderíamos ter percorrido. Sabe-se lá que rumos distintos teríamos tomado se ao invés de alguns nãos tivéssemos dito sim, se ao invés de uns receios tivéssemos nos enchido de coragem e se ao invés de alguns sorrisos contidos tivéssemos permitido as emoções se espraiarem dentro de nós.
Eu e os meus eus. Eu falo contigo, eu fico séria e reparo. E reparo que somos dois, mas somos tantos, uns iguais e outros tão inversos. Eu e os meus eus. Tu e os teus eus. Travamos tantos embates ao fazer com que tanta gente dentro de nós se compreenda e se solidarize com as dores e as alegrias uns dos outros.
Eu e os meus eus. Tu e os teus eus. E mais as vidas que inventamos para os eus alheios.
* Foto devidamente creditada ao queridíssimo Augusto Neftali.
terça-feira, 11 de outubro de 2005
Minhas legítimas bobagens
segunda-feira, 10 de outubro de 2005
Depois de ter você

Ela se pinta, se ajeita, se depila, se faz bonita para o que há de acontecer. E nada acontece. Há tempos que nada, absolutamente nada de novo acontece, mas ela cumpre seu rito como se nenhuma dor fosse essa. Antes ficasse despenteada, de cara lavada e mesmo peluda se à sua volta possibilidades de encontros e possíveis amores não surgem. E não surgem porque vive mês após mês pensando na impossibilidade de paixão que se foi. Se foi sem nem uma despedida, um chopinho de adeus, uma saidela de goodbye. Nada. Neca de pitibiribas. Enquanto toma banho pensa nas suas travas emocionais e na gilete, velha, ao lado do sabonete da Malu Mader. Como se tomar banho com Lux Luxo te deixasse com a pele da morena da novela. Ela queria crer nisso. “Pele de Malu, pele de Malu” – dizia a si mesma, ao mesmo tempo em que esfregava o Lux pelo colo e pelo pescoço (ninguém lava o pescoço, mas ela sim). Ela gosta de frango empanado com Nescau, e gosta de comê-los limpa e depilada ouvindo Adriana Calcanhoto. Ela é blasé e não sabe. Quando põe o primeiro pedaço de frango na boca cantarola: “Depois de ter você, pra quê querer saber que horas são?”.
* Inauguro aqui a presença feminina no blog, muito timidamente, a convite do querido Marco. Este foi publicado no zine Krak-à-Toa, mas é um começo, pra sair da toca. (Dica para ser lido ao som de "Cantada", da Adriana Calcanhoto).
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