
domingo, 14 de outubro de 2007
quarta-feira, 16 de agosto de 2006
Pra uma tarde fria e chuvosa aqui

RAMILONGA
Vitor Ramil
Chove na tarde fria de Porto Alegre
Trago sozinho o verde do chimarrão
Olho o cotidiano, sei que vou embora
Nunca mais, nunca mais
Chega em ondas a música da cidade
Também eu me transformo numa canção
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Sobrevôo os telhados da Bela Vista
Na Chácara das Pedras vou me perder
Noites no Rio Branco, tardes no Bom Fim
Nunca mais, nunca mais
O trânsito em transe intenso antecipa a noite
Riscando estrelas no bronze do temporal
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
O tango dos guarda-chuvas na Praça XV
Confere elegância ao passo da multidão
Triste lambe-lambe, aquém e além do tempo
Nunca mais, nunca mais
Do alto da torre a água do rio é limpa
Guaíba deserto, barcos que não estão
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Ruas molhadas, ruas da flor lilás
Ruas de um anarquista noturno
Ruas do Armando, ruas do Quintana
Nunca mais, nunca mais
Do Alto da Bronze eu vou pra Cidade Baixa
Depois as estradas, praias e morros
Ares de milonga vão e me carregam
Por aí, por aí
Ramilonga, Ramilonga
Vaga visão viajo e antevejo a inveja
De quem descobrir a forma com que me fui
Ares de milonga sobre Porto Alegre
Nada mais, nada mais
sábado, 3 de junho de 2006
resposta-sanduíche pelos teus 38*
do outro lado, o velho marco,
hippie-lebowski, uruguaianense do mundo,
criticando a moça do ai-ai-ai
à margem fico eu,
sem ter como retrucar às suas eruditices,
os seus modos de implicar
na próxima, capricha, meu velho
não faça troça de vanessa,
desvela tua escuta peculiar.
assume, em tuas doses homeopáticas,
em teus poemas confessionais,
em tuas adoráveis digressões enigmáticas
grita alto e sem receio:
sim, eu confesso!
também gosto de pastiches.
* parabéns, amigo. meu melhor abraço.
quarta-feira, 3 de maio de 2006
Para amiga Clarissa

Pelos teus 25 anos, pelos nossos alinhavos pela vida, pelos nossos recortes, por me ensinares a boniteza de uma boa amizade, pela sensibilidade que tens, pela artista que és, pelas coisas bonitas e singelas que personificas e confirmas nestes nossos caminhos de perto, de longe e de sempre. Pelas bobagens, pelos choros, pelas gargalhadas, pelos conselhos, pela força, pela troca, pelas artes, pela música, pelas construções comuns.
Pelo ser humano bacana, Clarissa, parabéns!
Tudo de melhor e amoroso pra ti.
Feliz Aniversário, da amiga de cá.
domingo, 23 de abril de 2006
Um verso dedicado
segunda-feira, 17 de abril de 2006
segunda-feira, 20 de março de 2006

Porque aqui faz calor e eu durmo sem roupas e acordo cedo com a janela escancarada, deixando o sol na cara me deixar transtornada logo pela manhã.
Porque hoje o trem quebrou e eu conversei com tanta gente diferente que de repente não sabia mais quem eu era e onde estava.
Porque eu escuto John Coltrane enquanto tomo um suco de limão e penso que a vida pode sim ser refrescante em tantos sentidos.
Porque há pouco eu aprendi o conceito de intuição, de virtualidades e do devir e isso, de alguma forma, já mudou tanto do que eu achava que sabia.
Porque nesse momento a tarde cai, minha roupa seca no varal e eu sinto saudades de certas coisas, daquelas saudades boas de se sentir.
Porque eu já não sou quem eu era ontem, porque eu já não sou quem eu era agora, porque alguém me liga e eu percebo que sim, eu simplesmente sou.
Porque imaginar o final de semana traz gosto de merecimento, porque minha preguiça passou e porque se permitir é tão incrível quanto Neil Armstrong pisar na lua.
Porque já dá pra ver a lua, porque amanhã é sexta-feira, porque eu gosto de cortar a unha e roer logo em seguida.
Porque descobri o quão legal uma criança pode ser, porque laços não se quebram, porque minha casa nova é agora a minha casa.
Porque o cinema já existia antes do cinema, porque champignon e pão preto é o que tenho na geladeira, porque o suor escorre nessas tardes de verão.
Porque talvez tantas coisas, porque talvez tantas outras, porque a incerteza seduz, porque é bom à meia luz.
Porque meu olho se cerra no momento em que encerra a plenitude dos dias.
Porque esse é um tempo espantosamente e deliberadamente otimista.
Porque me convenci.
A única coisa que vai se eternizar é o afeto.
* a foto é uma colaboração especial da minha mãe, Cora, que fez o clique no Chile, na prainha frequentada por Pablo Neruda.
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